
sexta-feira, 23 de março de 2012
NADA MAIS PARA SEMPRE

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
O SEGREDO
E lá estava ele, em plena quinta-feira, 15:00 horas, indo ao banco, quando sua mulher, Daniele, liga:
domingo, 30 de janeiro de 2011
O CAOS

Procurou suas roupas, mas só encontrou a cueca e as calças. Estava descalço, sem camisa e sem carteira. Olhou pela janela do quarto e viu que estava em um apartamento bem alto. Pensou para onde podia ir, mas sentiu um arrepio frio na espinha, quando percebeu que não lembrava o endereço de casa. Não fazia ideia onde morava, apenas lembrava que era perto da praia, talvez bessa ou intermares. Independentemente, tinha que sair rápido, não queria ser responsável pela morte ou overdose daquela mulher.
Abriu a porta do quarto cautelosamente, sentiu o ardor do calor dos trópicos. Devia ser perto do meio-dia ou talvez já estivesse no meio da tarde. O apartamento estava silencioso, mas a sala estava uma zorra. Garrafas, copos, resto de petiscos, as luzes ainda estavam ligadas. Estiveram muito mais pessoas, aqui, ontem, pensou. Viu algumas fotos na parede da sala, era da mulher que estava no quarto. Ela era jovem e bem atraente. Para sua surpresa, ficou claro que ela era casada e tinha um filho. Pelas imagens, qualquer um diria que eram muito felizes. A essa altura, seu coração parecia querer saltar pela boca. Devia ser gente poderosa, o apartamento era enorme e muito bem decorado, tudo com cara de excesso e suntuosidade. Teve a ideia de voltar ao quarto, no closet, encontrou roupas masculinas. O cara parecia maior, mas as peças serviram. Pegou uma camisa e uma sandália. Só imaginava o marido o flagrando com suas roupas e mulher. Tentou, novamente, achar sua carteira, mas nada encontrou. Voltou a examinar a mulher, ela era muito bonita e continuava imóvel em meio as pétalas, mas ainda parecia respirar.
Abriu a porta do apartamento, pegou o elevador, e com a melhor cara-de-pau que conseguiu protagonizar passou pela recepção. O porteiro o cumprimentou timidamente com a cabeça, ele retribuiu meio sem jeito. Não queria poder ser reconhecido. Logo, ele alcançou a rua. Sabia que tinha um carro, mas não lembrava qual. Ademais, sem carteira e chaves, concluiu que ou não chegara de carro ou perdera as chaves. Além disso, seu carro podia ser qualquer um daqueles que estavam na frente do luxuoso prédio. Resolveu ir caminhando. Logo, percebeu que não sabia para onde ia. Perguntou a uma Senhora:
- Para que lado fica o mar? O Bessa?
A senhora respondeu que ele já estava no Bessa, um tanto assustada com a aparência confusa e desnorteada daquele jovem. E, em seguida, apontou qual a direção do mar. Assim, ele seguiu agustiado. Não muito longe, com poucos minutos de caminhada, ele chegou na Avenida Governador Argemiro de Figueiredo. Observou seus bares, lembrou que já tinha frequentado todos, mas não conseguia lembrar com quem ou as noites que ali passara. Entrou em desespero. Lembrava que a polícia tinha um número, mas não sabia qual. Logo, desistiu das vias legais. O que iria dizer? Que acordou drogado ao lado de uma mulher nua e, talvez, a essa hora, morta?
*http://www.cocadaboa.com/archives/003760.php
domingo, 5 de dezembro de 2010
O SALTO ALTO

Na companhia de um silêncio estérico, os ponteiros teimavam em retardar os seus passos. Incorformado e nervoso, há dias que, nessas horas, convocava o seu amigo escocês: «Venha, Johnnie Walker!» As primeiras doses eram reflexivas. Da quinta em diante, seguia um desabafo. Johnnie era um ótimo ouvinte. Não interrompia. Entretanto, até Johnnie tinha um limite. E quando ele menos esperava, o companheiro e ouvinte fiel

Trôpego, ziguezagueava inquieto. Chorava e sorria com intensidade. Abria o computador e via as fotos, uma a uma. Apagava algumas, depois se arrependia amargamente. O dias e noites, assim, foram passando. As garrafas vazias iam se acumulando em uma estante. Devorava os bilhetes guardados, as cartas arquivadas até os e-mails armazenados. Mas, ao fim, sabia que ela não mais voltaria. Não era possível.
«Ao longe avisto sua chegada
A alegria percorre meu corpo
Esconderijo não há no entorno
A rendição é então anunciada
Cada movimento, cada passo
Exemplo vivo do descompasso
No fluxo das minhas artérias
Que clamam na mais vil miséria
A agora sanguínea correnteza
Revolta constante, reluntância
Numa eterna e ferina ânsia
De reconquistar tua beleza»

Em prantos, subiu as escadas. No último pavimento, caminhou pela cobertura alucinado. Seus soluços eram engasgos. Subiu no parapeito do edifício e olhou o horizonte com a vista turva. Foi, justamente, quando a viu de braços abertos. Linda como nunca. Ela usava o salto alto vermelho. Não titubeou. Pulou. Foi um salto alto como nunca mais daria igual para os braços de sua amada.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
OS PRESENTINHOS

- Primeiro ele me beija assim, depois eu beijo ele assim. Aí, ele me despe assim, eu tiro a blusa dele, etc. Não muda nada, nunca, amiga! Nunca! Eu juro! Pode uma coisa dessas?
A monotonia tornou-se insustentável. Numa certa noite de sexta, após o coito ordinário da semana, no motel mais próximo de casa, Pedro caiu na besteira de perguntar:
- Gostou meu bem? Foi gostoso?
Marcinha foi sincera como não se costuma ser e respondeu:
- Foi não. Na verdade Pedro, foi uma merda!
Pedro ficou surpreso e envergonhado de si próprio. A pressão de Marcinha sobre ele não foi pouca. Confessou que estava entediada, que Pedro era o culpado, pois não era criativo e fazia do namoro um filme previsível, daqueles tão cheios de clichês que o expectador dorme, inexoravelmente, antes do fim. Pedro se vestiu, pagou a conta e deixou Marcinha em casa sem dizer uma palavra. Foram cinco dias de silêncio. Até que Pedro se encheu de coragem e ligou para sua amada. Pediu uma nova chance. Jurou que iria surpreendê-la. Marcinha cedeu sem muita resistência. Sinceramente, ela estava até empolgada, achava que sua sinceridade extrema talvez acabasse se revelando benéfica, pois teria acordado o pacato Pedro.
Pedro atacou inicialmente com jantares e mimos surpresas. Roupas, também, fizeram parte do repertório inicial. No entanto, em poucos meses já não havia mais um restaurante em João Pessoa que o casal não conhecesse. Os motéis também estavam dominados. Portanto, Marcinha voltou a reclamar.

Em franco desespero, Pedro resolveu ser mais incisivo e contundente. Passou a presentear Marcinha com lingeries. Cada uma mais ousada e sexy que a outra. Marcinha gostou. Depois ele apelou para alguns filmes eróticos. Marcinha adorou. Enfim, resolveu dar à doce menina uns presentinhos especiais: uns brinquedinhos sexuais. Começou com geles estimulantes, depois massageadores clitorianos. Marcinha amou. Depois, partiram para os vibradores. Foram vários e dos mais variados. Experimentaram de tudo que esteve ao alcance. Marcinha conheceu o nirvana. A chegada de Pedro com um novo embrulho nas mãos fazia Marcinha ferver. Um pacotinho que fosse já lhe dava um arrepio. Quando era dos grandes, então, ela ficava maluca. O acúmulo dos presentinhos fez com que ela disponibilizasse um maleta só para abrigar os apetrechos da plena intimidade do casal.
Mas o tempo destrói tudo. Mesmo com todo o aparato sexual que a maleta oferecia, as coisas esfriaram. Assim, o namoro se foi. Dessa vez, foi até Pedro que tomou a iniciativa. No entanto, poucos dias depois, por mais que aceitasse o fim do relacionamento, o pacato garoto não suportava a ideia de Marcinha brincar com os presentinhos na companhia de outros coleguinhas. Pedro respirou fundo e ligou para a ex:
- Marcinha, tudo bem, acabou. Mas quero a maleta! Ouvistes? Quero tudo! Devolves tudo!
Marcinha se recusou a restituir. Primeiro, pois, por mais estranho que pareça, adorava abrir a maleta em sua intimidade e pensar nos momentos que viveu. Segundo, porque, também, não queria pensar na hipótese de Pedro fazer uso deles em outro playground. A negativa causou uma briga sem precedentes entre os dois. O respeito passou longe e a baixaria ascendeu de forma devastadora.
Foi então que Pedro, inescrupulosamente, ameaçou contar tudo a Dona Marta, a mãe de Marcinha. Sem saída, a pobre garota cede perante à chantagem e aceita o encontro para resgate dos regalos da discórdia.
- Poxa, Pedro! És um escroto! Ouvistes!? Tudo certo, devolvo esta maleta desgraçada.

No local designado, em um velho terreno baldio no Bessa, os ex-amantes se encontraram, após meses de intrigas e desentendimentos. Lá, finalmente, transacionaram um acordo. A maleta foi aberta, conferiram cada brinquedinho, um a um. Enfim, a maleta foi fechada. Ato contínuo, Pedro derramou querosene sobre ela e ateou fogo. Enquanto as chamas consumiam o depósito guardião dos presentinhos, Marcinha finalmente suspirava e se inundava novamente de desejo, afogada em tantas lembranças que, agora, literalmente eram apenas cinzas ao vento. Pedro, por sua vez, chorava copiosamente entre soluços.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
O CRAVO E O ROSA

Olívia Blanc era o inverso. Um doce de pessoa. Menina fina, em verdade, era muito bem educada. Sua família era importante, mas economicamente decadente. Mas na corte o que vale é a origem, portanto para uma Blanc a pose era importante. A etiqueta impecável era sua marca. Além disso, era prendada nos afazeres domésticos, dominava a arte da gastronomia, fosse o prato regional, nacional e internacional. Foi justamente numa noite especial, regada por finas iguarias gastronômicas que ela conheceu o Rosa.
Era a festa de uma amiga de Olívia. Um amigo do Rosa o chamou, pois não queria ir sozinho. Rosa relutou, mas foi. Na festa, àquela altura, um tanto entediante, ele encontrou Olívia. De imediato, o tempo parou. Era como se Deus apertasse um «slow motion», no controle remoto da vida. Cada movimento dela era milimetricamente analisado e admirado, seu rosto era de devoção dogmática. Ele parecia inspecionar, um a um, cada centímetro de Olívia, cada poro de sua pele. Rapidamente, Olívia comentou com uma amiga:
- Olha só como aquele cara me olha! O que será que ele quer?
A amiga rindo sussurrou:
- Te comer!
Rosa caminhou em sua direção e se apresentou. A conversa iniciou-se amena, com os «O que» e «Quem» de sempre: O que você faz?, O que você gosta?, Quem você conhece aqui?, etc. No meio do papo, quase do nada, o Rosa falou:
- Princesa, posso te dar um beijo?
Olívia respondeu:
- Tá Louco!? Mal te conheço!
Rosa:
- Nenhuma forma melhor de conhecer há que essa! – e tacou um beijo daqueles.
Olívia de início resistiu, mas foi mais forte do que ela. Não Rosa, o desejo. A insustentável leveza do ser a

- Você é muito atrevido, Amadeus!
Ele:
- Nada disso. Sou homem. Você que tá mal acostumada, andando muito com esses burguesinhos. Ainda não sabe como é um homem de verdade.
Olívia com um ar desafiador, retrucou:
- Ah, é?! Suponha que você deva ser um homem desse espécime genuíno. Uma pena você achar que eu não sei o que é um homem de verdade.
Foi quando o Rosa disse:
- Não sabe mesmo! Mas se quiser saber, estou aqui.
Olívia pareceu se transformar. Puxou o Rosa pela gola da camisa e disse:
- Siga-me se for capaz... de verdade.
Refugiaram-se num pequeno quartinho. Era uma dispensa, cheia de salgadinhos, docinhos, bebidas, enfim, o buffet da festa estava ali. Lá, beijaram-se, abraçaram-se, trocaram carícias intensas. Rosa ainda tentou:
- Você é louca é? Alguém pode chegar! Vamos sair daqui!
Olívia vitoriosa e maliciosamente disse:
- Para onde foi aquele homem de verdade que tava lá fora? Acho que continua por lá. Será que tenho que te abandonar e procurar por ele?
Rosa a

quarta-feira, 13 de outubro de 2010
A VISITA

Sem opçõ

A dinâmica da vida optou por parar também. Lembro apenas ter percebido o silêncio, mas o estado febril me impedia de levantar e averiguar suas causas. Foi então que senti a sua companhia. Já não estava só no meu quarto... É difícil explicar... Sua forma humana não me deixa confortável ao ponto de dizer que estava lá com alguém. Ela se parece muito mais com algo que com alguém. Verdade seja dita, recebi a visita da Morte, mas não lembro o seu rosto. Lembro apenas da sensação de sua proximidade. Isto não se esquece. Você já morreu por alguns segundos? Talvez um dia você identifique a sensação que relato. Ela é a essência da falta, o excesso do nada: o fim.

Ela chegou deixou algo escorado, tipo uma bengala, na parede, e sentou-se na beira de minha cama. Com uma voz serena e calma perguntou-me:
- Está pronto?
Respondi – confesso ainda desnorteado:
- Pronto?! Para quê? Quem é você?
- Ora, não me diga que você não percebe o que está se passando? – retrucou minha ilustre visitante.
- Bem – respirei fundo, controlei os nervos e racionalizei o contexto – Posso supor, mas prefiro a objetividade da resposta pelo seu próprio portador.
- Vocês me chamam de “morte”. Eu prefiro me entender como um “Guia”.
- Quer dizer que estou morrendo? Por uma gripe? – explodi - Que merda é essa?!
- Calma Doutor! Gripe mata muita gente, não há nenhum demérito em morrer assim...
- É mesmo?! Você morreu de que?- Rebati
- Bem... eu nunca morri... eu...
- Fácil entender... é um consultor... – confesso que até ri nesta hora - Nunca passou pelo problema, mas entende tudo que se passa.
- Pode ser. Mas... Isso não muda nada... Siga-me, por favor. - Retrucou a Morte um tanto quanto sisuda.
- Estou doente, colega. – respondi apavorado – não posso sair andando pela madrugada com os amigos. – Confesso que, a esta altura, era a definição do desespero.
- Gosto de seu humor. No entanto, você virá cedo ou tarde. – disse ela.
- Pois será tarde. – a esta altura não estava nervoso, mas uma sensação de necessidade aguçava meu senso de sobrevivência - Não há lógica em minha ida assim. Minha família está longe, coisas demais para acabar, coisas demais para iniciar... Não é hora mesmo.
- Advogados sempre presunçosos! – e num é que a Morte deu uma boa risada.
- A questão num é essa. Apenas questiono a oportunidade, deve haver um precedente. Alguém que você “guiou” na hora errada. Não há? - Desafiei
- Não lembro. – Disse ela hesitante, e continuou: - São tantos. De fato talvez uma vez... Talvez... Não. Não! Nenhum engano.
- Mentira! Difícil dialogar com quem falta a verdade! – Repliquei.
- Alto lá Senhor! Respeite-me! Vamos agora e pronto! – Falou firme, segurando-me pelo braço.
Nesse momento, meu corpo literalmente gelou, não sentia mais qualquer sinal vital de minha parte. Em desespero juntei, quem sabe, meu último sopro de vida e afirmei com a voz trêmula e fraca:
- Euu pó-posso provar.
A Morte me soltou e indagou:
- Mas que sujeitinho metido! Pode provar o que?
Foi quando afirmei, já mais firme, com os sinais vitais perceptíveis:
- Que você já se enganou.
Então veio a proposta da Morte:
- Vamos lá! Dê-me um só exemplo de engano de minha parte, que deixo você aqui por enquanto. Ou seja, afinal você num é imortal, então mais cedo ou mais tarde eu volto, mas fico aguardando um novo mandado.
Como falei anteriormente, não sei quanto tempo pensei, apenas não conseguia encontrar nenhum caso de engano da morte, de repente pronunciei desesperado:
- Jesus!!!
Foi quando a Morte esbravejou:
- Ah, não!!! Você também!
Aproveitei o momento de vulnerabilidade que a Dona Morte deixara transparecer e argumentei:
- De fato! Está lá no Novo Testamento, V. Exa. bem que chamou Jesus, mas em 72 horas lá estava ele de volta. É um precedente! Jurisprudência divina e do mais Douto gabarito.
- Num é bem assim - retrucou a morte – Jesus tinha que ressuscitar, fazia parte do combinado. Ademais, ele é Deus e pode tudo!
- Deus-homem! Portanto um homem. Por conseguinte é “alguém”.
- Nada disso, vamos lá – o falar da Dona Morte, mais uma vez fazia meu corpo se tornar imperceptível.
- Calma, calma! Trato é trato! Pacta sunt servanda! Eu falei “Alguém que você ‘guiou’ na hora errada. Não há?”. E você me desafiou a provar. Provei, pois se Jesus é Deus, é também um Deus encarnado, um homem também. É o “Alguém” mais importante da história da humanidade.
- Ai, Deus! – Disse a Morte e continuou:
- Você num entende, eu não errei com Jesus, pois eu não tinha guiá-Lo, pois Ele sabia o caminho.
- Aí não é justo! Como posso ser condenado por algo que não entendo!?? – Arrisquei essa já no desespero.

- Ah, não! Algo que não suporto é ser acusada de injusta. Deixa-me consultar o Salvador aqui.
Um minuto depois...
- Sei não! Às vezes nem eu entendo! Olha só Doutor... Tua gripe foi curada. Passe bem, por enquanto... – E assim a Dona Morte se foi.
E eu que criticava a frase, tantas vezes, aposta nos pára-brisas alheios: “Só Jesus Salva”. Bem a história Dele me salvou, ao menos, temporariamente, posso continuar trilhando meu caminho.